O momento que mais me lembro de Jacarta não estava previsto.
Em 2016, fui voluntário no Encontro de Líderes Jovens; eu trabalhava nos bastidores imprimindo sinalização e direcionando os participantes perdidos para as salas certas. Numa das últimas noites, fiquei no fundo do auditório observando milhares de jovens líderes de todo o mundo cantando juntos. Diferentes idiomas. Sotaques diferentes. Uma única música. Lembro-me de ter pensado: Eu não tinha idéia de que a igreja fosse tão grande. Ou tão jovem. Ou tão viva assim.
O encontro em si nunca foi o objetivo principal. O importante é o que acontece depois que todos voltam para casa.
Fui para aquele encontro para servir. Saí de lá com o coração virado do avesso. Naquela semana meu coração se abriu para a igreja global e para o que Deus está fazendo além da minha igreja local. Eu jamais me recuperei, e foi assim que, anos mais tarde, fui servir no Movimento de Lausanne em tempo integral.
E o que aprendi desde então é que: o encontro em si nunca foi o objetivo principal. O importante é o que acontece depois que todos vão para casa.
Este ano marca dois aniversários. Há vinte anos, em 2006, líderes jovens de todo o mundo reuniram-se na Malásia. Há dez anos, eles se reuniram em Jacarta, na Indonésia. Cada evento durou cerca de uma semana. Então todos embarcaram de volta para suas igrejas, seus empregos, vilas e cidades, e a verdadeira história começou.
Coletamos essas histórias. Aqui estão algumas delas.1

A amizade que permaneceu
Martha Wame voltou para casa, na Papua-Nova Guiné, depois do encontro em Jacarta. Mas ela não voltou sozinha, não exatamente. No encontro, ela conheceu um grupo de mulheres que serviam em ministérios em diferentes partes do mundo. E elas mantiveram contato.
Oito anos depois, elas continuam orando umas pelas outras. Marta conta estar em sua canoa, no meio do dia, quando recebe uma mensagem de uma amiga em Trinidade e Tobago pelo WhatsApp: “Uma de vocês está acordada? Preciso de alguém para orar comigo”.
Martha Wame, Papua–Nova Guiné
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“Não consigo expressar o quanto esse relacionamento com minhas irmãs tem sido importante para mim”, diz Martha. “Espero que vocês também possam desfrutar da amizade de sua família global, assim como eu tenho desfrutado da amizade com as minhas irmãs ao redor do mundo”.
Abdulkadir Adewale Adams, da Nigéria, conta uma história semelhante. Em Jacarta, ele conheceu Dave, um americano que se tornou, em suas palavras, “um amigo mais chegado que irmão”. Anos mais tarde, Abdulkadir foi convidado para o encontro global de Lausanne na Coréia do Sul, mas como não tinha condições de pagar a passagem aérea, já havia decidido não ir. Dave não deixou que ele desistisse. Ele o incentivou, orou com ele e mobilizou sua rede de contatos para arrecadar o dinheiro da passagem.
Abdulkadir Adewale Adams, Nigeria
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Uma semana na Indonésia transformou-se em uma década de relacionamento de irmãos através de dois continentes. Isso não é resultado de uma conferência. Isso é família.

Os chamados que surpreendem a todos
Nem todos saem de um encontro como esse com a visão clara. Alguns saem com perguntas mais profundas
Em 2016, Isac Abimanyu era supervisor de uma plantação de palmeiras em Papua, na Indonésia — era uma boa carreira, com centenas de funcionários e uma sensação silenciosa, mas constante, de que Deus o estava chamando para outro lugar. Ele foi para Jacarta se questionando se deveria ingressar no seminário. Durante aquela semana, alguém o desafiou a ler um livro sobre largar tudo para seguir a Jesus. Na mesma noite, que segundo ele, só pode ser sido preparada por Deus, ele conheceu um homem ligado à edição indonésia do mesmo livro, e que lhe deu um exemplar.
“Senti que Deus estava falando diretamente comigo”, conta Isac. No ano seguinte, ele ingressou no seminário.
Entretanto, uma reviravolta aconteceu: Isac tinha certeza de que o seu chamado era para trabalhar com jovens. Em vez disso, Deus o enviou a uma região rural, onde metade da congregação tem mais de 60 anos, e muitos deles são produtores de tabaco. Atualmente, ele passa os dias andando com pessoas que já estão na fase de ouro da vida, e ele não trocaria isso por nada.
Isac Abimanyu, Indonésia
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“O chamado de Deus pode mudar”, ele afirma, “e nós devemos estar dispostos a seguir para onde quer que ele nos conduza”.
Yeda Tin Yee, do Canadá, conhece bem essa surpresa. Ela chegou ao encontro de 2006, na Malásia, na expectativa de que Deus a chamaria para o ministério de tempo integral na igreja. Em vez disso, sentiu que ele lhe dizia algo que ela não esperava: “Fique onde você está”. Seu escritório, sua profissão, o seu dia a dia de trabalho—esse era o seu campo missionáro. Vinte anos depois, ela continua lá. “Ele me colocou em uma posição estratégica para anunciar o evangelho”, diz ela.
Yeda Tin Yee Hong, Canadá
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O trabalho que multiplicou
Algumas histórias podem ser contabilizadas.
Francis Osteen, de Gana, participou do mesmo encontro de 2006 na Malásia. O que ele aprendeu lá redirecionou toda sua vida para missões na África Oriental. Nos vinte anos que se seguiram, ele e suas equipes plantaram mais de 25 igrejas no Quênia, em Uganda e em Ruanda, em comunidades onde as boas novas de Jesus jamais haviam criado raízes.
Francis Osteen, Gana
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“Através do treinamento de líderes jovens”, ele diz com simplicidade, “sou hoje o missionário que sou”.
Sam Monono, de Camarões, participou de um programa de desenvolvimento de liderança no encontro de Jacarta de 2016. Ao retornar para casa, começou a repassar o que tinha aprendido para outros líderes, os quais também repassaram para outros. “Muitos podem testemunhar”, diz ele, “que o que recebi transmiti a muitos que cruzaram o meu caminho”. Uma semana de treinamento desencadeou uma reação em cadeia por toda uma nação que atravessa anos de crise.
Sam Monono, Camarões
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E Daniel Thomas, da Jamaica, passou os primeiros dias em Jacarta questionando se realmente pertencia àquele lugar. “Eu não me sentia cem por cento à vontade”, admite ele. No entanto, graças aos relacionamentos e ao apoio que seguiram, incluindo uma bolsa de estudos para seu mestrado em liderança, ele se tornou líder de um movimento nacional de jovens. Hoje, sua organização acompanha mulheres grávidas em crise, oferecendo-lhes apoio prático e espiritual. Recentemente, ele acordou com a notícia que havia nascido mais um bebê, filho de uma mãe assistida por sua equipe.
Daniel Thomas, Jamaica
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“Muitas vezes, me senti sozinho”, conta Daniel. “E Lausanne tem sido um lugar onde recebo muito encorajamento e fortalecimento.”

Por que estou contando tudo isso agora?
No próximo mês de março, isso vai acontecer novamente.
De 16 a 22 de março de 2027, cerca de 1.200 líderes jovens, com idade entre 25 e 35 anos, vindos de quase todos os países do mundo, se reunirão no estado de São Paulo, Brasil, com centenas de outros participantes online, para o Quarto Encontro de Líderes Jovens (YLG 4). E o evento não foi concebido para ser apenas uma experiência de uma semana. É o início de uma jornada de dez anos de mentoria, amizade e missão compartilhada.
Mas os maiores resultados do YLG4 talvez não sejam visíveis em março de 2027. Eles poderão se tornar visíveis em 2037 ou 2047.
Uma conversa no Brazil pode ajudar alguém a reconhecer o chamado de Deus. Uma amizade pode sustentar um líder durante uma crise futura. As palavras de um mentor podem impedir alguém de desistir. Um jovem professional pode voltar para casa com uma nova visão do seu trabalho. Uma parceria ministerial pode ser iniciada durante uma refeição. Uma futura igreja, movimento, escola, empresa ou projeto comunitário pode ter parte de sua história ligada a uma semana no Brasil.
Não podemos prever exatamente o que Deus fará quando líderes jovens de todo o mundo se reunirem. As histórias de 2006 e 2016 nos mostram que devemos esperar que o impacto seja muito maior do que podemos prever.
Se você é um líder jovem a caminho do Brasil: eu já estive onde você está agora. Você pode chegar sentindo-se deslocado, como Daniel se sentiu. Pode chegar com o peso de dúvidas sobre sua carreira, como Isac. Ouça a promessa de alguém que acompanhou tudo lá do fundo do auditório: a pessoa sentada ao seu lado no almoço poderá estar orando com você pelo WhatsApp em 2037. Chegue com curiosidade. Chegue com o coração aberto. Deus costuma realizar suas melhores obras em ambientes como esse.
E se você é alguém que contribuiu, alguém que, dez ou vinte anos atrás, ajudou a colocar uma passagem aérea nas mãos de um jovem pastor nigeriano, de um missionário ganês ou de uma jovem de Papua-Nova Guiné, por favor, saiba disso: sua contribuição não terminou com o encerramento do encontro. Ela continua gerando frutos. Ela se manifesta em 25 igrejas na África Oriental. Em bebês que nasceram na Jamaica e em uma corrente de oração às 3 da manhã que atravessa seis fusos horários. Você não financiou apenas um evento. Você plantou um pomar que está produzindo frutos que talvez você nunca veja plenamente deste lado do céu.
É a sua vez
Essas sete histórias são apenas o começo. Há muitas outras e talvez uma delas será a sua.
Um dos Encontros de Jovens Líderes, de 1987, 2006 ou 2016, mudou sua direção, seu chamado ou suas amizades? Gostaríamos de ouvir sua história. Compartilhe aqui. Sua história pode ser exatamente o incentivo que um jovem ansioso precisa ao embarcar em um avião para o Brasil no próximo mês de março.
O encontro é apenas o começo. A história é o que acontece depois que todos voltam para casa.
Porque o encontro é sempre apenas o começo. A história é o que acontece depois que todos vão para casa.
Nota
- Nota do editor: As histórias apresentadas neste artigo foram gravadas nas Cabines de Storytelling durante o Quarto Congresso de Lausanne em Incheon, na Coréia do Sul, em setembro de 2024. Essas cabines serviram como um espaço sagrado onde participantes de todo mundo puderam compartilhar testemunhos e pedidos de oração, além de perspectivas ministérias a partir de seus contextos singulars e suas trajetórias com o Movimento de Lausanne. É uma honra compartilhar esses relatos como vislumbres de como Deus continua agindo em seu povo e por meio dele.
